olá!
neste mês de janeiro, para ter uma ilusão de férias (que não foi possível conceder a mim mesma, na minha rotina de empreendedora/consultora), me propus a fazer coisas mais analógicas, como montar quebra-cabeças e bordar, arrumar e limpar a casa, visitar e tomar café com familiares e amigas, e ler livros que considero de “lazer” – aqueles que [aparentemente] não me incitam à produtividade.
eis que finalizei a leitura de a alegria em ficar de fora, última publicação do andré carvalhal, e fiquei maluca da cabeça de escrever sobre vários aspectos (olha a produtividade aqui me chutando). mas eu juro que tenho um ponto…
nele, o autor propõe “como se desconectar do mundo digital e se reconectar com você, as pessoas e a natureza”, em um livro escrito em viagens sem wifi e com uma parceria inédita com a editora coquetel, para quem lê contar com passatempos nos intervalos dos capítulos, instigando mais presença na leitura.
um dos primeiros conceitos que o carvalhal aborda é o tempo bem gasto, citando uma amiga que traduziu as redes sociais como o “ralo de tempo”. aqui, os desavisados pensarão que essa é uma crítica vazia da categoria humana atualmente conhecida como hipsters, mas neste momento da história em que a competição pelo nosso recurso mais valioso, já reconhecido até pelo mercado, a economia da atenção, vamos concordar que o assunto pede uma reflexão mais aprofundada.
se você é docente (assim como eu), se tem filhos ou se regularmente ensina alguém a fazer algo, já deve ter percebido que a retenção de atenção dessa pessoa, sobre aquilo que você está explicando, é baixa e está piorando a cada dia. em sala de aula temos que primeiro ensinar o aluno a estar presente para depois começar o assunto em si, e o volume de informação a que somos submetidos o-tempo-todo não tem nos ajudado.
mas, as redes sociais não são as vilãs supremas dessa equação; e percebendo isso, as pessoas estão cada vez mais em busca de atividades que possam ser exercidas no ao vivo e longe das telas – mesmo que depois postem tudo o que fizeram.
primeiro vive. depois posta.
ou só vive mesmo e guarda a memória enquanto ela durar 😉
nesse contexto, a agora tão falada dopamina, que é um neurotransmissor cerebral relacionado ao prazer, foi de mocinha a vilã, dependendo do contexto aplicado e da nossa dependência das telas, o que tem deturpado a maneira como o nosso corpo deveria reagir à sua ação.
o próprio carvalhal reflete que “informação não precisa ser uma ferida aberta; pode ser também um caminho para agir, transformar e, aos poucos, cicatrizar”; e ainda nos lembra da importância de termos em mente que a maneira como adquirimos essa informação importa muito no jeito como vivemos e aprendemos novos saberes.
e assim surge mais um termo importado para coisas que já fazíamos, o “analog wellness”, ou bem-estar analógico, que basicamente é a nossa resposta para o mundo que vive na velocidade 2x, com notificações a cada segundo, estímulos digitais infinitos e hiperconexão.
apesar de ter começado a leitura [e esta newsletter] dizendo que queria focar na não produtividade, no final desta conta só consigo pensar o quão legal seria se além de encontrar as pessoas que já são queridas por mim, para fazermos vários nadas superlegais juntas, eu também pudesse trocar ideias presenciais com outras tantas que eu [ainda] não conheço e que podem ter tanto potencial para me ensinar e inspirar profissionalmente.
tudo isso por eu não achar que a gente consegue separar o cpf do cnpj, como muitas pessoas dizem ser possível (e até recomendável), porque quem somos no off vaza para o online quando estamos distraídos… e viver em alerta para ser uma usina de produção ambulante não é sustentável a longo prazo.
termino por aqui recomendando a leitura do livro que está na ref da semana, logo abaixo, e contando um desejo:
quero um biblioencontro este ano. quem topa?
até a próxima!
p.s.: para quem não sabe, biblioencontros são atividades presenciais promovidas pela bibliohub para a discussão de um tema específico, com café e bolinho, bem no estilo de troca com os amigos 😉
🧩 ref da semana
livro: a alegria em ficar de fora
autor: andré carvalhal
local: rio de janeiro
editora: agir
ano: 2025


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