olá!

nesta semana, fui a uma exposição que eu estava ansiosa para conhecer, por gostar bastante da qualidade do que o museu em questão costuma produzir e por trabalhar com o tema que veria por lá. curti cada canto, assisti aos vídeos, li os textos, senti conexão com o assunto, maaas… saí achando que a expografia poderia ter sido melhor explorada.

no caminho de volta, fritei meu cérebro imaginando inúmeras coisas que eu (reles mortal que nem da área da museologia sou, então não levem muito em consideração esta parte rs) faria diferente na ambientação e, quanto mais refletia, mais acreditava que as soluções apresentadas tinham sido rasas para a complexidade da figura que estavam representando.

caso tenha curiosidade, a exposição em questão foi a alma humana, você e o universo de jung, que está em cartaz no museu da imagem e do som (mis). contudo, deixo claro que eu faço isso em todos os lugares que visito, de cultura a gastronomia, já que a minha veia crítica também muda de lugar (na minha imaginação) até o balcão de uma padaria quando eu acho que aquela operação poderia ser melhorada.

acontece que dessa vez a reflexão de “deveriam ter feito isso” ou “apresentado aquilo desta outra forma” me levou a um estalo de que isso é muito eu. ou seja, de que a minha essência é observar > organizar > comunicar, o que é muito coisa de bibliotecária.

o estalo veio porque lembrei daquela história de nos descrevermos sem mencionarmos a nossa profissão. conhece? pelo menos na cultura paulistana, que é onde eu vivo, essa é uma tarefa quase impossível de ser realizada, pois a primeira coisa que a gente faz quando nos apresentamos (ou a alguém que conhecemos a um terceiro), por exemplo, é dizer “este é fulano de tal lugar” – e entende-se lugar pela empresa onde o dito cujo trabalha.

formação acadêmica, filiação, nacionalidade, características físicas ou outras coisas do tipo comumente ficam em segundo plano e acontecem em decorrência da nossa profissão. vamos fazer este exercício aqui, rapidinho? se você fosse se apresentar para mim agora, sem mencionar o seu trabalho, como seria? eu começo!

sou roberta gravina, bibliotecária e fundadora da bibliohub. não, péra! sou roberta, consultora em gestão da informação… falhei de novo! sou professora de biblioteconomia… isso é muito difícil! (cabeça fritando sobre o que liga tudo isso a minha infância), sou uma pessoa curiosa, criativa e gosto de falar. me empolgo em aprender coisas novas, mas nunca dou continuidade porque sempre tem algo mais divertido para fazer. procuro compreender como as coisas funcionam e imaginar cenários. gosto de ajudar as pessoas e fazer conexões com as coisas que acho interessantes.

percebeu a bibliotecária ali? lê de novo! a minha natureza é a de observar pela curiosidade, me interessar pela imaginação, organizar pela compreensão e conectar pela comunicação. eu faço isso desde criança, quando brincava de boneca, e essa é a minha essência.

entrar em um museu e reorganizar a expografia ou perceber coisas que poderiam ter sido feitas para comunicar melhor aquela mensagem, a partir do meu ponto de vista, não é uma crítica gratuita… é o olhar treinado da minha bibliotecária interna conversando o tempo todo. essa é quem eu sou quando ninguém está vendo e o meu emprego não define a minha identidade – ele a reforça.

e você? consegue perceber o que te move a fazer o que você faz?

p.s.: achei muito curioso ter essa reflexão justamente após uma exposição sobre psicologia analítica rs.

até a próxima!


🧩 ref da semana

o quê: exposição “a alma humana, você e o universo de jung”

onde: museu da imagem e do som (mis)

quando: até 01/03/2026

site: https://mis-sp.org.br/exposicao/a-alma-humana-voce-e-o-universo-de-jung

fonte: foto da autora.

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