olá!
dia desses estava pensando no quanto a infraestrutura de um lugar afeta a experiência que você pode ter e como transportei essa reflexão automaticamente para o contexto das bibliotecas, pensei em compartilhá-la aqui com você.
recentemente fui a três teatros diferentes para assistir a peças [que deveriam ser] incríveis neles todos. mas, devo confessar que a experiência de um foi comprometida e de outro foi completamente invalidada pela estrutura física que apresentavam ao seu público. explico:
- caso da peça excelente: reservei o ingresso pela internet e recebi um qr-code por e-mail; cheguei com meia hora de antecedência e usei um banheiro grande e limpo, além de água fresca com copos à vontade; entrei na fila que me era destinada e em cerca de 10 minutos já estava apresentando o qr-code recebido para entrar e escolher o meu lugar; as poltronas eram amplas e estofadas, o corredor era espaçoso, a visibilidade era livre e havia ar condicionado.
- caso da peça meia boca: reservei o ingresso pela internet, mas tinha que abrir o aplicativo do lugar para apresentar o qr-code; cheguei com meia hora de antecedência, os banheiros já estavam cheios e sujos e não tinha água nem para comprar; não tinha fila para entrar na sala, então aguardei um funcionário estar disponível para a leitura do meu ingresso para entrar e procurar o meu lugar; as poltronas eram apertadas e duras, o corredor era minúsculo, a visibilidade não era livre de todos os ângulos e não havia ar condicionado, apenas uma ventilação central que parecia não funcionar.
- caso da peça horrível: reservei o ingresso pela internet e recebi um qr-code por e-mail; cheguei com uma hora de antecedência por orientação do local e tive que aguardar do lado de fora em uma área descoberta, mesmo com um início de chuva, para apresentar o ingresso já ali; acessei um banheiro pequeno e limpo, mas só havia uma opção de água caríssima para comprar; procurei a área que me era destinada e recebi ajuda para localizar o meu lugar; as poltronas eram pequenas e desconfortáveis, apesar de estofadas, o corredor era minúsculo e perigosamente íngreme, a visibilidade era completamente comprometida e havia ar condicionado central.
o resultado foi que apesar do lugar da experiência “horrível” ser o mais importante para a cidade no contexto dos três frequentados, a peça que deveria ter sido um momento incrível, se tornou um martírio de horas intermináveis e que me gerou uma indignação profunda por venderem algo dessa forma.
o detalhe é que o local da “peça excelente” é gratuito tá!

como a minha cabecinha de bibliotecária de nascença nunca para de pensar em como melhorar meu trabalho, isso me levou à reflexão dos espaços que disponibilizamos aos nossos consulentes. já atuei e visitei bibliotecas com poltronas gostosas e confortáveis, e em outras que a cadeira era tão dura que nem eu queria sentar.
qual você acha que vivia cheia? penso que nossas experiências não devem ser dissociadas da nossa ocupação, e sim agregadas com o que oferecemos, junto do feedback de tantas outras vivências para proporcionarmos o melhor local sempre.
outras pessoas podem gostar e receber os “casos das peças horríveis” de bom grado, afinal, o que é ruim para mim pode não o ser para o outro. mas, será mesmo que não podemos melhorar nosso trabalho com conforto, empatia e boa educação? o mero desenvolvimento de coleção não faz milagre.
um acervo bom pode até encher uma biblioteca, mas o que a mantém ocupada por mais tempo é um espaço receptivo!
sei também que o acesso à informação é a prioridade e que a maioria de nós, que atuamos na área da informação, está sempre lutando por condições que não sejam precárias para o próprio acervo, que dirá pensar em mobiliário, conforto térmico, cafezinho ou qualquer outra coisa que possa ser entendida como regalia em nossos contextos.
mas dá para projetar como seria esse espaço melhor e ao menos tentar fazer com que as dificuldades de acesso sejam compensadas de alguma forma pelo restante da experiência, né? por exemplo, se há alguém dormindo na minha biblioteca é porque o sofá tá gostoso… mas isso é assunto para outra referência (rsrsrs).
até a próxima!
tem muita coisa sendo pensada com cuidado e carinho deste lado da tela… vamos com calma, com qualidade (e saúde mental rs), no nosso ritmo, com o desejo de criar uma comunidade e desenvolver o pensamento empreendedor na pessoa bibliotecária.

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