olá!

o que você queria ser quando crescesse?

já deve ter respondido a essa pergunta quando criança, né? assim como se você é atento(a) às tendências de mercado, já deve ter ouvido a máxima de que as crianças de hoje em dia trabalharão em profissões que ainda nem foram criadas, dada a velocidade com que as inovações vêm se impondo ao nosso cotidiano.

tornou-se comum vermos listas de agências e entidades de pesquisa trazendo o “top de profissões que desaparecerão nos próximos cinco minutos” ou algo do tipo… mas, sempre me pergunto se o que está por trás desse tipo de entendimento é a generalização necessária para a análise – e não a essência do que aquela ocupação significa para quem a desempenha.

daí que me surgiu a reflexão do quão é importante sabermos observar a maneira como compreendemos a nossa atuação, daquela que a sociedade tem do que fazemos.

se você perguntar agora para as pessoas com quem você convive se elas entendem e conseguem descrever o que você faz profissionalmente, elas conseguiriam?

se eu pedir para a minha mãe contar o que eu faço como bibliotecária-autônoma-consultora-empresária-professora, estou certa de que ela não saberá. aliás, vou perguntar para ela e colocar a resposta aqui, para ilustrar meu pensamento.

mandei:

“se alguém te perguntar o que a sua bibliotecária faz, o que você responde?”

e ela disse o seguinte:

tirando o “tia psiu na biblioteca” – que é uma piada interna –, vemos que não condiz muito com a minha realidade de consultora – e olha que ela é minha mãe, hein (rs).

piadas à parte, a questão aqui é entendermos que a convicção que temos da importância do nosso ofício não é idêntica àquela que os outros nos atribuem. se até as pessoas que estão próximas a nós conhecem somente uma fração do que fazemos, imagina quem não tem contato com o que produzimos.

biblioteconomia nunca foi o curso mais concorrido da universidade, assim como infelizmente não costumamos ouvir dizer que estudar biblioteconomia é o sonho de alguém. contudo, sabemos que quem estuda costuma se apaixonar pela profissão… não sei se é o cunho humanista, o cheiro dos livros ou o charme das bibliotecárias que produzem esse efeito (rs).

isso tudo porque semana passada ouvi de um aluno, então advindo de outra área e já com a carreira encaminhada, que a biblioteconomia mudou a sua vida, porque ele encontrou pessoas incríveis e muito improváveis em um contexto de sua rotina até então, e o que ele tem aprendido e exercido têm lhe feito muito feliz nessa nova profissão. achei lindo e desconversei para não chorar, mas fiquei pensando sobre o quanto o envolvimento real com o que fazemos pode mudar a percepção do outro.

agora, pega essa informação e leva para o contexto da análise de mercado que comentei lá no começo e me diga: a biblioteconomia está descrita como uma “profissão do futuro”, mesmo tratando informação na era desta mesma informação? sabemos que não.

um pequeno retrato disso é a exposição que está acontecendo no centro cultural fiesp, intitulada “o futuro das profissões”, com cinco módulos de interação para percorrer, colocam-nos em reflexão sobre a maneira como desenvolvemos e exercemos profissionalmente o nosso aprendizado: percursos do presente, futuros pretéritos, o tempo das coisas, aprender a aprender e o futuro do presente.

o conteúdo foi desenvolvido por uma iniciativa do sesi lab, que fica em brasília e já recebeu mais de 170 mil visitantes, provocando a reflexão de que as inovações se tornaram exponenciais e não ocorrem de forma igualitária, tanto global quanto localmente falando. lá tem um quiz para respondermos algumas perguntas e descobrirmos o que poderíamos fazer em nosso futuro – e adivinhe o meu resultado: “arquivista de documentos na nuvem”.

agora imagina a minha cara de palhaça ao constatar que eles não têm mapeada a palavra bibliotecária para descrever o mesmo trabalho, nem catalogação para identificar a atividade cuja finalidade é a mesma que exerço atualmente para um cliente.

tem muita coisa que ainda quero conversar sobre este assunto, então vamos dividir este papo em outras partes, ok? 😉

deixo aqui algumas fotos do que achei mais interessante e, já sabe, se você for nessa exposição me conta o que achou, tá?


🧩 ref da semana

exposição: o futuro das profissões

período: até 16 de novembro de 2025

local: centro cultural fiesp – avenida paulista, 1313, jardim paulista, são paulo

funcionamento: de terça-feira a domingo, das 10h às 20h

custo: entrada gratuita e sem necessidade de ingresso


até a próxima!

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