olá!

você tem o costume de ouvir coisas que necessitam de atenção, do tipo podcast, audiobook, videoaula ou mesmo áudio de whatsapp (principalmente sem aumentar a velocidade)? eu sim. sou uma ouvinte bastante praticante neste momento da minha vida e recentemente associei essa prática de dedicação de atenção à escuta para algo além da mera recepção de informações.

foi quanto li o artigo “6 sinais de que você não é um bom ouvinte e como melhorar essa habilidade”, da fast company brasil, que apresenta as práticas recomendadas para evitar esse comportamento no ambiente de trabalho, segundo os pesquisadores robert biswas-diener e christian van nieuwerburgh, que têm diversos livros e artigos produzidos na área da psicologia positiva, com foco no desenvolvimento das habilidades de escuta.

o artigo em questão contextualiza a grande quantidade de distrações que temos atualmente em nosso cotidiano à dificuldade de empreender uma escuta eficaz ou, nas minhas palavras, em prestar a atenção no outro (seja uma pessoa ou um livro) para uma troca mais profunda de experiências no lugar de apenas trocarmos informações superficiais.

já chego no motivo pelo qual associei esse contexto ao fato de os meus fones de ouvido serem os meus melhores amigos ultimamente… mas, para embasamento, vamos a um resumo das seis barreiras que impedem uma boa escuta, citadas pelos pesquisadores-autores:

  1. comparação: quando nos lembramos de que algo semelhante ao relatado, uma coisa que aconteceu conosco e nos apressamos a contar a nossa experiência também;
  2. competição: quando a sua experiência, positiva ou negativa, é sempre melhor ou maior que a do outro e você faz questão de contá-la;
  3. leitura mental: quando interferimos na narrativa para continuar a história [mesmo sem poderes telepáticos], por acreditarmos saber o que vem a seguir;
  4. conselhos não solicitados: quando sempre estamos prontos a resolver algo, mesmo que não nos tenham pedido para solucionar nada, e ainda nos expressamos a despeito da “não-solicitação”;
  5. prioridade do status: quando de fato sabemos mais do que o relatado, pela nossa experiência pessoal, e nos desconectamos da conversa por termos expertise demais;
  6. falta de tempo: quando julgamos a relevância, ou não, de um assunto mesmo antes de ele ser dito, por exemplo, pela nossa impaciência em não perdermos tempo com algo que acreditamos previamente não merecer o nosso interesse.

agora, sejamos sinceros… eu já fiz e você já fez, estamos fazendo ou ainda faremos o relatado em todos esses tipos de situações; a questão é compreender no que elas impactam em nossa escuta ativa e o que podemos fazer para melhorá-las, principalmente no mundo corporativo. então, vamos aos detalhes!

fonte: pinterest.

a proposta de melhoria que aplicaria as seis pontes que alavancam uma boa escuta e empreendem o que os autores chamam de “escuta radical” seriam estas:

  1. percepção: no lugar de pensar que isso já aconteceu com você e expressar a sua versão de relato, seja parceiro no sentido de valorizar a experiência narrada, identificando as informações que realmente importam sem que você precise apresentar a sua narrativa equivalente;
  2. tranquilidade: no lugar de pensar que isso não é nada perto do que você já passou e contar vantagem em algo maior, atribua valor ao que está ouvindo e se conecte à conversa por meio de silêncios e pausas estratégicas para controlar o seu diálogo interno e expressar as suas emoções de maneira mais adequada;
  3. aceitação: no lugar de pensar que você já sabe o que o outro vai dizer e complementar com a sua versão dos fatos, exercite a paciência em ouvir passivamente, respeitando o direito dos demais envolvidos em apresentarem as suas próprias opiniões no diálogo;
  4. reconhecimento: no lugar de pensar o que você faria se estivesse na situação da pessoa e apresentar prontamente as suas ferramentas para resolver a questão, aguarde ser convidado a emitir a sua opinião ou entender se se trata de apenas um ombro amigo para ouvir aquilo que o outro tem a dizer, respeitando os sentimentos e valorizando as qualidades alheias;
  5. questionamento: no lugar de pensar que você sabe mais do que quem está dizendo e se desconectar da conversa, ofereça atenção à possibilidade de aprender um assunto ou forma de fazer algo novo a partir da realização de perguntas instigantes e que demonstrem o seu interesse e curiosidade no que é dito;
  6. interrupção estratégica: no lugar de pensar que você não tem tempo para ouvir sobre determinado assunto, tenha clareza das suas prioridades e planejamento sobre o seu tempo, tendo, assim, melhores condições de ouvir a história completa, com técnicas de atenção e interrogações de entusiasmo, ou mesmo reprogramar a conversa, de maneira clara e gentil, para uma melhor oportunidade.

ficou mais claro né?! 🙂

mas voltando ao assunto lá do início, isso me fez pensar que ao longo dos últimos anos, com a proliferação de conteúdos voltados aos suportes de áudio, eu me tornei uma pessoa muito mais atenta a ouvir de fato o que está rolando no meu player… e que isso consequentemente melhorou a minha dedicação de atenção e seletividade de escuta nas conversas que tenho tido [além de ter estudado a comunicação não violenta (cnv) de marshall rosenberg, mas isso fica pra outra news rs].

sabe aquela sensação de ter lido algumas páginas e não se lembrar do que acabou de ler e logo em seguida ter de voltar para reler tudo? isso também acontece quando ouvimos áudios sem atenção e, com o passar do tempo e volume cada vez maior desses estímulos auditivos, passamos a banalizar o que ouvimos em toda a nossa rotina e nos inclinamos a apresentar certa dificuldade de reter essas informações.

praticar a escuta radical que os autores citam ou o conceito de escuta ativa no nosso cotidiano nos torna cidadãos mais empáticos, para além das habilidades requeridas no mercado de trabalho. saber ouvir e priorizar o que ouvimos, investindo em qualidade de conteúdos, faz com que o padrão das nossas conversas também aumente, seja pela melhoria do vocabulário, seja pela atenção dedicada nesse processo.

essa foi uma conexão automática pra mim, no contexto que tenho vivido ultimamente de maratonista de podcast (rs). mas, e para você, faz sentido também?

até a próxima!


tem muita coisa sendo pensada com cuidado e carinho deste lado da tela… vamos com calma, com qualidade (e saúde mental rs), no nosso ritmo, com o desejo de criar uma comunidade e desenvolver o pensamento empreendedor na pessoa bibliotecária.

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