olá!
recentemente descobri um perfil de engajamento para mulheres que desejam escrever chamado @escrevagarota e, por sorte, eles estavam divulgando um evento voltado para leitoras que aconteceria em breve. me inscrevi e fui, claro.
tratava-se do 1º festival escreva, garota! escrevendo o futuro, uma mulher de cada vez organizado pela idealizadora do projeto lella malta, para “celebrar o protagonismo feminino na literatura”.
lá, descobri que o festival faz parte de um autodenominado grupo de apoio, engajamento e capacitação continuada para mulheres que escrevem da lella, que também promove o projeto chamado elas publicam em diversas cidades do brasil.
confesso que fui para ver uma autora em específico, a iana villela, por quem fiquei obcecada depois de ler “desobediência ou o que no futuro chamaremos de lucidez”. engoli este livro em poucos dias de leitura e quem está aqui há mais tempo sabe que isso é um grande feito para mim que leio bem l e n t a m e n t e !

sobre o livro, estava lendo despretensiosamente até chegar aqui:
“eu me ressinto de perceber que somente naquele dia, caminhando para os 40 anos de idade, olhei para uma mulher muito mais velha e não enxerguei uma figura materna. uma vovó cujo único presente possível é o cuidado. somente quando o peso numérico começa a ser depositado nas minhas próprias costas eu consegui tirá-lo das costas de outras mulheres. […] é válido questionar o que acontece, ao longo de toda a nossa juventude, para ser tão difícil olhar as mulheres das nossas vidas e ao nosso redor como um objetivo inspirador. […] enquanto a medição de sucesso masculino é profissional e financeira – dois pilares complexos mas sem prazo de validade, a medição feminina está na fertilidade e na beleza, duas conjunções que, na nossa formação social atual, só são possíveis na juventude. […] no restaurante, olhei novamente para a senhora e levantei a taça de vinho em direção a ela. ela retribuiu e brindamos no ar esse vínculo que nos percorre, quer a gente queira ou não […]”. (villela, 2024).
a essência desta obra é feminista e trata da vida cotidiana das mulheres em vários aspectos. mas, como o meu radar é voltado para o mercado de trabalho, este trecho pegou no meu coraçãozinho em particular por tratar de algo que não costumamos dar importância e que invariavelmente acometeria a todas nós: a percepção que temos de nossas capacidades e os limites a que os outros nos submetem.
ouvir, lá no evento, outras mulheres como eu falarem sobre as nossas possibilidades e potencialidades foi muito enriquecedor. virou uma chavinha para simplesmente fazer o que se quer, apesar de tudo. ainda bem que cheguei mais cedo e saí mais tarde para aproveitar as outras mesas (mesmo estando meio gripada) porque assim tive a chance de conhecer tantas autoras incríveis com falas muito poderosas.
deixo aqui a dica de leitura do “desobediência” da iana (para os homens que estão me lendo, inclusive rs), o desejo para que [especialmente] as bibliotecárias sejam mais impetuosas em suas carreiras e o convite para mais reuniões que promovam ações como essa. temos planos de leituras e escritas coletivas por aqui, mas enquanto isso não acontece, se for em algum evento assim, me chama tá! 😉
até a próxima!
tem muita coisa sendo pensada com cuidado e carinho desse lado da tela… vamos com calma, com qualidade (e saúde mental rs) no nosso ritmo, com o desejo de criar uma comunidade e desenvolver o pensamento empreendedor na pessoa bibliotecária.

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